Lendo agora:
São Felipe do Oeste
Matéria Completa 5 minutos em média para ler

São Felipe do Oeste

A cidade tem cerca de 6.000 habitantes (IBGE/2017). Sua economia se baseia na atividade agropecuária. O município possui rebanho de 88 mil bovinos de corte e leite, responsável pela produção anual de mais de 5,5 milhões de litros de leite, além de ser produtor de cana-de-açúcar (27 mil toneladas), mandioca (5.576 toneladas), milho (1.345 toneladas), feijão (228 toneladas) e peixes (121 hectares de lâminas), entre outros produtos.

Fundada em 22 de junho de 1994, São Felipe do Oeste fica a uma distância média de 50 a 70 quilômetros das principais cidades da região, incluindo Pimenta Bueno, Rolim de Moura e Cacoal. Assim como outras localidades menores, São Felipe permaneceu durante muitos anos sem serviços bancários. A população era obrigada a viajar com frequência ou até mesmo pagar para motoristas de táxi ou contar com a ajuda de vizinhos e amigos de confiança.

Aberta há quase duas décadas, a agência do Sicoob Credip em São Felipe foi a terceira da cooperativa a entrar em operação. “Naquela época, final dos anos 80, tudo era resolvido em Pimenta Bueno, era uma viagem de aproximadamente 70 quilômetros”, lembra a gerente Rosangela das Chagas. “Não havia praticamente comércio local, a cooperativa foi fundamental para desenvolver esse comércio”.

Atualmente, a agência conta com cerca de 1.500 cooperados, em sua grande maioria produtores rurais da agricultura familiar. Ou seja, um em cada quatro habitantes do município está cooperado ao Sicoob Credip. O crédito rural é talvez o produto mais utilizado na região. São valores na faixa dos 20 a 25 mil reais, destinados ao custeio agrícola – na compra de milho, sementes e sal mineral, por exemplo – e também na aquisição de máquinas.

“Eu nasci aqui em São Felipe, assim como todos os colaboradores da nossa agência do Sicoob, e o fato de conhecemos cada morador nos ajuda muito na hora de identificar a necessidade financeira e a linha de projeto que mais se adequa aos nossos cooperados”, explica Rosangela.

Portabilidade

A professora municipal Dauzisa Pereira de Souza, assim como todo o funcionalismo público de São Felipe, recebia seu salário pelo Banco do Brasil, conforme determinação do Banco Central, que dava exclusividade do recebimento aos bancos públicos e excluía as cooperativas. “O BB funcionava por meio dos correios e limitava saques a mil reais por pessoa, era comum passar a senha do banco para um taxista que iria sacar dinheiro em outra cidade”, conta a professora.

Com a mudança na legislação, a partir de 2012, todos os servidores públicos passaram a ter direito à portabilidade. “Cerca de 95% de todo o funcionalismo local já fez sua portabilidade e recebe os salários diretamente no Sicoob Credip, a meta é chegar em breve aos 100%”, diz a gerente Rosangela.

“O Sicoob é a única instituição que mantém agência com todos os serviços disponíveis dentro da cidade, os demais bancos apenas mantém um ou dois caixas eletrônicos, que vivem sem dinheiro, com filas e problemas de funcionamento”, diz Dauziza. “Numa ocasião minha neta ficou muito doente e precisamos de dinheiro de maneira emergencial, mas tudo foi resolvido de maneira tranquila porque o Sicoob sempre esteve aqui para nos apoiar”, agradece a professora.

Bolo de Cheques

A comerciante Idenir Vez Magalhães de Oliveira, dona do supermercado Oliveira, chegou em São Felipe em 1996. “Não havia agência bancária na cidade e o supermercado acaba sendo um dos locais onde as pessoas podiam trocar seus cheques de salários”, recorda. “Os produtores de leite recebiam cheques dos laticínios de Santa Luzia e Rolim de Moura e vinham trocar conosco”.

Idenir e o esposo tinham uma picape C10 que fazia o “transporte de valores”. “A gente levava um bolo de cheques e trazia 5 mil reais das cidades próximas, era uma quantia bem grande, numa época em que o salário mínimo valia 60 reais e um botijão de gás custava 9 reais”, recorda.

“Era comum trocar cheques de 600 reais que os produtores traziam para fazer suas compras no mercado e receber o troco em dinheiro, era também uma forma de fidelizar os clientes”, afirma. “A gente andava com malas cheias de dinheiro naquela C10”, brinca.

Até as coisas mais simples, como pagar a conta de luz, viravam um pesadelo para os moradores. “Em 1998, havia um correspondente da Ceron que recebia o dinheiro para pagar as contas em Rolim de Moura, até que descobrimos que ele recolhia o dinheiro mas não pagava as faturas”.

Diante de todos esses problemas, a comerciante foi uma das pessoas que ajudou a mobilizar a comunidade para fundar uma agência da cooperativa na cidade. “Em 1998, participei da primeira assembleia promovida com essa finalidade pela Credip, em Pimenta Bueno. Na oportunidade, integralizamos 100 reais para a fundação da cooperativa. Foi o melhor investimento de nossas vidas”, garante.

Deixe um Comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios estão marcados com *

Digite o que deseja procurar e pressione Enter