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São Domingos do Guaporé
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São Domingos do Guaporé

São Domingos do Guaporé é um distrito do município de Costa Marques e tem cerca de 6.000 habitantes. Sua economia se baseia na atividade agropecuária, com destaque para a pecuária de corte e o extrativismo da castanha. A região do Rio Guaporé começou a ser colonizada no século 17, com a presença de seringueiros. Oficialmente, os municípios da região do Vale do Guaporé foram emancipados a partir da década de 1980.

O distrito de São Domingos do Guaporé fica a uma distância média de 50 quilômetros dos municípios mais próximos, Costa Marques e São Francisco do Guaporé. Durante mais de duas décadas, na época das chuvas, a principal ligação rodoviária, a BR-429, se tornava praticamente intransitável. “A gente costumava dizer que havia duas lagoas, e no meio estava São Domingos”, lembra o comerciante e produtor rural Elton Pontes de Oliveira.

Junto com o isolamento da região, a população local enfrentava um problema comum: a exclusão financeira. “Quase não havia dinheiro em espécie circulando na praça, então as pessoas utilizavam a chamada “moeda-vale”, conta Elton.

“O Sicoob Credip começou a funcionar em 2005, dentro de duas salas no único posto de gasolina daqui”, diz o empresário, que chegou ao distrito nesse mesmo ano, trazendo uma carga preciosa na garupa da moto. “Vim de Corumbiara com R$ 25 mil na bagagem, uma viagem que acabou sendo uma grande aventura, peguei chuva durante 700 quilômetros, perdi o escape e até a corren-te escapou da moto”, garante. O dinheiro foi bem aplicado, na instalação da loja Agroel, de produtos agropecuários, que ele mantém muito bem até hoje.

Madeira

A atividade madeireira estava a todo vapor. Cerca de 20 madeireiras trabalhavam ativamente na região de São Domingos. Em média, de 200 a 300 pessoas trabalhavam nessas empresas. Os funcionárioseram pagos sempre com cheques. Para trocar esses cheques de salário por dinheiro, as madeireiras cobravam um ágio de 5% a 10%. “O ágio dependia da cara do sujeito”.

As madeireiras também emitiam as chamadas “requisições” dentro do comércio, o que gerava uma espera de até dois meses. “Eram 30 dias recebendo os pagamentos nesses vales ou requisições”. Quando fechava o mês, os vales eram trocados por cheques e acrescidos de juros. Depois, eram mais 30 dias até finalmente descontar em dinheiro. “Era normal, todo o comércio cobrava juros por causa dessa demora”.

“O Sicoob Credip chegou e resolveu muitos desses proble-mas”, lembra Elton. “No início tivemos fatos bem curiosos, naquele tempo os extratos e até as transferências eram feitos manualmente”, lembra. “Quem tinha dinheiro para depositar ganhava preferência na fila”.

Na época das águas, para trazer dinheiro de Pimenta Bueno e abastecer a agência de São Domingos do Guaporé, era preciso fazer uma viagem longa e difícil. “O pessoal saía às cinco da manhã para chegar às oito da noite”, conta a gerente do Sicoob Credip, Talita Barros de Assis Coelho.

Taxistas

Com pouco dinheiro circulando, quem lucrava e muito com a situação eram os taxistas. Eles eram contratados e muito bem pagos para sacar dinheiro, descontar cheques e fazer pagamentos em municípios maiores.

Quase não havia dinheiro em espécie circulando na praça, então as pessoas utilizavam a chamada “moeda-vale” – Elton pontes de Oliveira / Comerciante e produtor rural

“Antes da cooperativa abrir as portas aqui, eu pagava dez reais por malote de dinheiro que mandava pelos taxistas para a cidade mais próxima, São Francisco do Guaporé, onde funcionavam as agências bancárias”, conta o comerciante Valmir Rodrigues da Silva, proprietário da Loja Capibaribe. Valmir chegou ao distrito em 2004. No ano seguinte, se tornou cooperado do Sicoob Credip.

“A partir daí, as coisas começaram a mudar, para melhor”.

E mesmo com o advento da era tecnológica, pelo menos um hábito permanece na comunidade: a emissão de cheques. “Ainda hoje são emitidos cerca de 70 cheques por dia em nossa agência”, contabiliza Keoma da Costa Prudente, funcionário do Sicoob Credip.

A instituição financeira cooperativa que modificou a realidade local e fez crescer a economia do distrito, ganhará em breve uma nova casa. A previsão é de que em meados de 2018 o Sicoob Credip deverá inaugurar uma nova e moderna agência em São Domingos do Guaporé, para atender aos aproximadamente 1.000 cooperados daquela localidade.

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