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Seringueiras
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Seringueiras

Localizada às margens da BR-429, no Vale do Guaporé, a cidade de Seringueiras começou a ser formada a partir do projeto de colonização Bom Princípio. Fundada em 13 de fevereiro de 1992, Seringueiras conta hoje com uma população de 12.600 pessoas (IBGE/2017) e se destaca principalmente na produção de carne e leite.

O município possui rebanho de 144 mil bovinos de corte e leite, responsável pela produção anual de mais de 9,7 milhões de litros de leite, além de ser produtor de café (2.100 toneladas), mandioca (1.100 toneladas) e milho (882 toneladas), entre outros produtos.

Fundada em 13 de fevereiro de 1992, Seringueiras fica a 40 quilômetros de São Miguel do Guaporé, município mais próximo dentro da BR-429. Assim como em outras localidades do interior rondoniense, a população de Seringueiras permaneceu muitos anos sem serviços bancários.

Aberta em 1999, a agência do Sicoob Credip em Seringueiras foi a primeira da cooperativa a entrar em operação no Vale do Guaporé. “Levamos uma semana para reunir 32 cooperados para a primeira reunião”, conta o gerente Jonathan Rodrigues, do Sicoob Credip.

“Os diretores vieram de Pimenta Bueno e enfrentaram um baita temporal para chegar a Seringueiras e apresentar a cooperativa para aqueles que se tornariam o primeiro grupo de cooperados”, diz Jonathan. “Fizeram uma cerimônia no palco da cidade com a presença de políticos para entrega de cheques do Sicoob Credip no dia da inauguração da agência na cidade”, recorda.

Moeda-vale

O pecuarista Osmar Obugalski trabalhava com madeira e era vereador naquela época. Ele recorda as dificuldades enfrentadas pela população. “Os aposentados tinham que viajar até São Miguel, Rolim de Moura ou Ji-Paraná para receber os seus proventos, ou então pagar alguém para pegar o dinheiro”, lembra. “O Banco do Brasil tinha uma estrutura extremamente reduzida e o Bradesco se limitava a um correspondente bancário e não conseguia dar atendimento ao que era necessário”.

O uso de cheques como forma de pagamento compensava em parte a ausência de dinheiro vivo na praça, mas não era suficiente. “Usava o cheque recebido na madeireira para pagar o posto e assim por diante. Mas havia poucos cheques na praça também. E os cheques pagos para as madeireiras por compradores do sul do país levavam sete dias para serem compensados”, lembra Osmar.

A “moeda-vale” acabava substituindo o dinheiro circulante na cidade. “As madeireiras emitiam a moeda-vale uma vez por mês. Supermercados, farmácias, postos de gasolina, lojas, todos emitiam moedas-vales e no final do mês trocavam por dinheiro”, lembra.

“Algumas vezes as pessoas perdiam esses vales, e acabavam arcando com o prejuízo, tudo isso porque os bancos oficiais pouco ou quase nada representavam para a cidade”, diz. “Quando o Sicoob Credip chegou a Seringueiras, trocou todos esses vales por dinheiro vivo”, ressalta.

Sem Medo

O comerciante Antonio Marcos Camilo, dono do Supermercado Cerejeiras, mandava um malote de táxi com todo o movimento de seu estabelecimento até São Miguel do Guaporé. Isso acontecia de duas a três vezes por semana.

“A cada viagem eram transportados de 20 mil a 30 mil reais. Levava às vezes o dia inteiro para cruzar os 40 quilômetros até São Miguel, por causa da chuva terrível e da estrada péssima. Mas naquela época não tínhamos medo de assalto”, lembra Camilo.

Atualmente, a agência do Sicoob Credip conta com cerca de 1.000 cooperados no município, e possui um portifólio completo de serviços para atender a toda a população de Seringueiras.

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