Lendo agora:
De Machadinho para o mundo
Matéria Completa 6 minutos em média para ler

De Machadinho para o mundo

 

O chef Junior Durski, fundador e proprietário da conceituada rede de restaurantes Madero, conhecida como “o melhor hambúrguer do mundo”, começou sua atividade empreendedora no município rondoniense de Machadinho do Oeste.

Descendente de uma família de políticos na cidade paranaense de Prudentópolis, Durski chegou a ser eleito vereador em sua cidade, mas renunciou em menos de dois anos para extrair madeira na Amazônia. Em 1984, o empresário se mudou para Machadinho, onde morou por 15 anos.

Em Rondônia, aprendeu a desenvolver seu prato predileto, o sanduíche. Mas foi a atividade madeireira que possibilitou que Durski tivesse aporte financeiro para iniciar o negócio de seus sonhos: construir uma rede de restaurantes tendo o hambúrguer como estrela do cardápio.

“Nesse período, peguei malária três vezes”, diz. “Só na última vez, perdi 10 kg.” Por causa da saúde, e também para oferecer melhores oportunidades para criar suas filhas, o empreendedor decidiu deixar Rondônia, mas manteve sua atividade principal.

De volta ao Paraná, o chef Durski entrou de cabeça para realizar o sonho do sanduíche perfeito. “Busquei o melhor queijo chedar na Inglaterra, fiz o melhor pão crocante artesanal, pesquisei a melhor carne para hambúrguer visitando as melhores redes dos Estados Unidos, tudo para poder fazer o melhor”, conta. “O sanduíche é feito com pão francês assado na hora e hambúrguer grelhado na churrasqueira”, diz. Kathlen, esposa do empresário, é arquiteta. “Ela criou todo o conceito, o padrão, tudo para que pudesse oferecer também o melhor ambiente”.

Mas, mesmo fazendo o prato mais desejado em seus restaurantes de Curitiba, recebendo as melhores críticas especializadas, com um ambiente de tirar o fôlego, as vendas não correspondiam. “Durante anos, tentei alavancar os negócios, o hambúrguer era realmente cobiçado pelos fregueses, mas, o faturamento ficava abaixo das expectativas”.

Após muitas tentativas, dentro e fora de Curitiba, incluindo uma franquia em Camboriú, chef Durski decidiu mudar sua estratégia comercial. “Só então percebi que não era nada relacionado ao padrão de qualidade, mas era o preço do produto que estava dificultando minhas vendas”.

O empresário criou então um novo conceito, o “Madero Express”. “Foi o suficiente para atrair o público, que praticamente descobriu meus sanduíches”. A partir daí, as vendas simplesmente “explodiram”.

Hoje, a rede de hamburguerias Madero soma dezenas de lojas no país e é a marca mais desejada como âncora nos principais shopping centers brasileiros.

A empresa, que apresentou um faturamento anual de aproximadamente R$ 200 milhões em 2015, está expandindo suas atividades para endereços mundialmente famosos, como Miami, Sidney e Dubai.

Nada mal, para alguém que aprendeu a gostar de hambúrguer aos 13 anos de idade. “Fui visitar meu avô em Ponta Grossa e provei o X-salada na rodoviária”, lembra. “Depois disso, era comum viajar duas horas de ônibus até Ponta Grossa, comia três cheeseburguers e depois voltava pra Prudentópolis, porque na minha cidade não tinha o sanduíche”, lembra.

BOX

O nome da rede Madero é inspirado na atividade madeireira. Até a logo tem como símbolo uma árvore. O empresário abriu em 1999 seu primeiro restaurante de alta gastronomia, com o sobrenome do empresário e receitas da família de origem ucraniana e polonesa. Segundo ele, a casa até hoje não dá lucro. O objetivo era mantê-la aberta para seu nome continuar sendo uma referência em alta gastronomia na cidade.

Em 2005, abriu outro restaurante, ao lado do Durski. Era o Madero, nome inspirado na atividade madeireira. Os primeiros anos também foram de prejuízo, de acordo com o empresário. E os negócios só eram mantidos com a renda da exportação de madeira. O Madero só virou o jogo e passou a ser lucrativo em 2010, quando já tinha seis unidades.

A virada se deu em 2010, quando os preços dos hambúrgueres foram cortados em 40% porque todas as sete lojas da rede operavam no vermelho. “A receita subiu 300% no primeiro mês, e o número de pessoas nos restaurantes foi multiplicado por cinco”, lembra Junior. As lojas que não chegavam a faturar R$ 40 mil em 2010 tiveram sua receita ampliada para R$ 700 mil.

Turbinada pela propaganda boca a boca de quem experimentou o produto, a rede pôs o pé no acelerador e não tirou mais. “O resultado foi imediato”, afirma. “Tinha convicção de que o produto era bom, mas não entendia porque as lojas ficavam vazias. Foi aí que abaixamos o preço.” Já no primeiro mês, o número de clientes na rede foi três vezes maior”.

COZINHANDO “NA MARRA”

Nos 15 anos em que morou em Rondônia e atuou na extração de madeira na Amazônia, o paranaense Junior Durski – nome “artístico” de Luiz Renato Durski Junior – aprendeu a cozinhar na marra. “Nos anos 80 não havia restaurantes e nem muito a fazer na cidade, que na época tinha três mil habitantes”, conta Durski. Hoje, Machadinho do Oeste tem mais de 30 mil moradores.

Assim, Durski tornou-se chef por hobby. Hoje, dono do Madero, rede de hamburguerias que bate de frente com concorrentes de peso como o americano Outback.

A primeira experiência de Junior no ramo de restaurantes veio em 1999, quando abriu um restaurante de comida polonesa, em homenagem à origem da família. O dinheiro, porém, continuou a vir da madeireira – Junior só abandonaria o negócio em 2012.

O Madero, que foi assediado em 2015 por fundos de investimento estrangeiros, apresenta hoje um acelerado crescimento – a receita saltou 1.000% em cinco anos. Encantado com o hambúrguer que ele mesmo havia criado, o empresário não entendeu que precisaria “conquistar o direito” de cobrar caro e se vender como opção premium.

Em 2016, Durski chegou a negociar a venda de parte do Madero, mas optou por emitir debêntures de R$ 88 milhões, compradas por investidores paulistas. Usou o dinheiro para capitalizar o negócio. Apesar da crise, o empresário fez sua maior expansão em 2016, já conta com mais de 60 unidades e projeta seu faturamento acima dos R$ 300 milhões.

Em Ponta Grossa, cidade onde o chef Durski experimentou seu primeiro X-salada, o Madero passa a “fabricar” seu próprio hambúrguer – produzido por uma máquina de 1,2 milhão de euros que não pressiona a carne, além das sobremesas, pães, entradas e misturas de temperos. Tudo sai congelado, em caminhões próprios, que fazem o papel de ‘outdoor’ nas estradas. O sonho virou realidade.

Publicado em edição 09| Dezembro

JUNIOR DURSKI

Comentários Facebook
Digite o que deseja procurar e pressione Enter