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Café de Rondônia tipo Premium
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Café de Rondônia tipo Premium

Empresário de Porto Velho lança a primeira marca nacional de café robusta gourmet e quebra paradigma do mercado

O empresário Bruno Assis, dono da cafeteria Juninho Soft Café, de Porto Velho, lançou há três anos sua marca própria de café gourmet: o Amazônia Coffee. Para produzir em Rondônia uma linha exclusiva de cafés tipo premium, Bruno Assis quebrou um paradigma do mercado e está provando que o café robusta, pode sim, servir uma bebida especialmente saborosa, sofisticada e de características únicas.

Quais características fazem do robusta um café premium?

Ele é um café encorpado, aveludado, com muito pouca acidez, e com muita potência da cafeína! Quando você toma uma xícara de robusta, você fica acordado na hora! É o dobro, quase o triplo de cafeína do arábica… E tem o amargor. Existe o amargor desejado, aquele por exemplo do chocolate meio amargo ou amargo, que muita gente gosta, porque ele é gostoso, é delicioso. Então o robusta veio quebrando paradigmas, mas de uma maneira diferente. Nós não tentamos ser iguais ao arábica, nós só queremos mostrar a nossa beleza, o nosso jeito de ser, as características que devem ser apreciadas nesse tipo de café.

Como surgiu a ideia de uma nova marca de café robusta premium?

Nós não imaginávamos possuir uma marca de café, nem ganhar concursos ou participar de feiras, nada disso. Queríamos apenas torrar nosso próprio café e servir em nossa cafeteria em Cacoal. O turista que chegava em Cacoal, em 2012, queria tomar um café dali. Afinal, é a Capital do Café de Rondônia. Mas esse café gourmet ainda não existia na região. Todo café era trazido de fora, de Minas Gerais. Então, em 2014, nós começamos a torrar nosso próprio café, mas ainda era um arábica que começamos a misturar com um robusta. Foi em 2015 que nós criamos o Amazônia Coffee, primeira marca de café gourmet da Amazônia Brasileira, especializada em cafés especiais, cafés de notas acima de 80 pontos, cafés de concursos de qualidade, com uma torra para cafés especiais, atendendo um público mais exigente e mercados exigentes.

Esse café então começou a ganhar prêmios?

Surgiu o Amazônia Coffee e logo vieram os concursos, como o Concafé, e a Semana Internacional do Café.    Fomos os primeiros a levar o café de Rondônia nessa feira, a maior da América do Sul e uma das mais importantes do mundo. Ali, as pessoas começaram a apreciar e vimos que existe um mercado para esse café, pois enquanto serviam uma garrafa de café das outras regiões produtoras, do café de Rondônia saíam quatro garrafas.
O povo queria conhecer o café daqui, o café da Amazônia. Fomos o destaque da feira. No outro ano juntamos forças com a Embrapa, Emater, Sebrae e fomos para o Conespaço de Rondônia, e tem sido um sucesso imenso.

Todos os produtores do seu café são aqui de Rondônia?

Só trabalhamos com café de Rondônia. Onde tiver produtor campeão, a gente compra! Alto Alegre dos Parecis, Cacoal, Rolim de Moura, Nova Brasilândia, Espigão D’Oeste, Ministro Andreazza, onde tiver café de qualidade, nós compramos. Todos os premiados são fornecedores e somos exclusivos deles. Em nosso primeiro ano, nós compramos incríveis três sacas! Ano passado foram 50 sacas. Esse ano deve ficar entre 250 e 300 sacas. São 60 quilos por saca, o que corresponde a 18 mil quilos por ano. Ou cerca de 72 mil pacotinhos.

Como está a comercialização do Amazônia Coffee hoje?

Em 2018 passamos a ter, além do alto padrão de qualidade, uma quantidade fixa de cafés de qualidade para poder entrar em redes de supermercados, nas cafeterias, nos empórios, lojas de presentes, porque as pessoas querem provar e querem dar de presente um café produzido na Amazônia Brasileira. Hoje atendemos mais de 20 cafeterias em Porto Velho, incluindo as duas cafeterias da grife Juninho Soft Café, que também são clientes da marca Amazônia Coffee, e ainda temos um número crescente de compradores em todo o Brasil. As cafeterias são exigentes, elas têm um público exigente. Esse é o começo de uma grande empreitada. Esse ano queremos chegar a 300 cafeterias em todo o país.

Quando se trata de um café gourmet, quais são os cuidados com a torrefação?

Na verdade tudo é importante. Quando o café é campeão, uma saca de café campeão, tudo deve ser valorizado. Ninguém toma café cru. Então, você tem que torrar este café ainda. E esse momento da torra é onde se eleva a qualidade do café, onde se apresentam essas notas de qualidade. Ou se estraga totalmente o café, por que a torra nada mais é que a caramelização do açúcar do café que está dentro do grão, para que quando você moer e colocar água, quando for extrair o café, passe todas essas qualidades para a bebida.

As embalagens também são especiais…

A embalagem desse café é produzida em alumínio e possui laminação dupla, além de uma válvula desgaseificadora. Todo esse trabalho de proteção mantém a qualidade do produto até sua abertura. Por isso comercializamos embalagens pequenas. Nossa maior embalagem é de cinco quilos, que é usada apenas nas cafeterias de Porto Velho. Com essa embalagem fazemos 500 cafés tipo expresso. Para as cafeterias no restante do Brasil, comercializamos embalagens de um quilo. E para o consumidor final, são embalagens de 250 gramas. Dentro das cafeterias, só vendem essas de 250 gramas para o cliente final, justamente para ele abrir o café, consumir dentro de um, dois, até cinco dias, dependendo do tamanho do vício do cliente (risos). Depois disso, ele já tem que abrir outro, senão perde as características, o aroma, pois quando se compra um café especial, você está comprando aquela paixão, aquele momento, é uma experiência.

Vocês têm planos para exportar também?

Sim, temos planos para iniciar a exportação ainda esse ano. Temos parceiros abrindo sua cafeteria na Grécia em nome da cafeteria Amazônia Coffee, e na China os parceiros querem o nosso café e o mais interessante, não é o café em grão, é o café torrado e moído com a marca. Então, a questão nossa não é só vender café de qualquer jeito, vender a saca ou só commodities. Nosso negócio é vender o produto industrializado, acabado, é agregar valor ao café que é produzido aqui em Rondônia.

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