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Pioneiros relembram desafios da construção do Sicoob Norte
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Pioneiros relembram desafios da construção do Sicoob Norte

“Tudo começou em 1995, por iniciativa do governo do Estado, que após o fechamento do Banco do Estado de Rondônia (Beron), decidiu trazer um consultor em cooperativismo de crédito para incentivar a abertura de cooperativas”, conta o diretor operacional do Sicoob Norte, Francisco Barbosa de Souza. “As primeiras reuniões aconteceram nos sindicatos rurais, com a participação dos representantes do setor produtivo, e ali nasceu o embrião das cooperativas”, recorda. “Imagine se uma cooperativa com capital inicial de 5.300 reais teria alguma chance de sucesso. Parecia algo impossível”, analisa Euvaldo Foroni, um dos sócios-fundadores do Sicoob Credip, a primeira a ser inaugurada. “Só deu certo porque teve honestidade, transparência, união e perseverança”, ressalta. “Fizemos uma primeira assembleia com a participação de 54 cooperados. Cada cota tinha o valor de 50 reais”, relata o primeiro presidente do Sicoob Ourocredi, José Emídio. “Tivemos que contar com apoio do município, pois seria impossível abrir uma instituição financeira sem dinheiro”, afirma. “O maior apoio veio da prefeitura, na época era o prefeito Leonildes Carlos, o “Carlão”, que nos cedeu o prédio, além de dois funcionários”, confirma Milton Toro Vidal, primeiro diretor-secretário do Sicoob Norte. “Foi assim que nós começamos. Nós não tínhamos recurso pra nada”, diz. “Eu trabalhava como caixa, junto com um gerente, apenas dois funcionários, não tinha internet na época, era comum faltar luz, o único telefone muitas vezes ficava mudo, assim foi o início”, lembra Ana Mônica, que trabalha atualmente como analista de crédito no Sicoob Ourocredi. “A gente visitava as cidades vizinhas, convidando as pessoas a participar, mas o povo não acreditava nas cooperativas”, confirma Milton Toro. “A verdade é que existia antes uma cooperativa bem grande na região, e ela acabou falindo, e deu um rombo danado, então o pessoal tinha muito medo”. Mesmo com a descrença inicial, as cooperativas foram crescendo. “Eu andava com uma pasta com documentos para trazer novos sócios e falava sobre a cooperativa com cada pessoa que encontrava no trecho”, conta Rui Correa Silvestre, um dos sócios-fundadores da Ourocredi. “As pessoas se interessavam e a gente ia até a cooperativa fazer a adesão, na mesma hora”.

BANCOOB

A cooperativa tinha uma conta dentro do Banco do Brasil. E o associado tinha uma subconta do Banco do Brasil, com talão de cheques desse banco”, lembra Barbosa. “Mas o banco passou a exigir uma reserva de liquidez muito alta, um depósito de garantia muito alto, e foi elevando as taxas da cooperativa, e foi complicando as coisas para a cooperativa”, diz Barbosa. Na mesma época, em Brasília, surgiu o Bancoob, e as cooperativas então tiveram a opção de participar desse novo sistema. “Foi assim, através do Bancoob, que finalmente pudemos nos tornar totalmente livres da dependência do Banco do Brasil. Ali, naquele momento, nascia oficialmente o Sicoob em Rondônia”, afirma Barbosa. “Nós tivemos que praticamente aprender tudo, cada um buscando seu conhecimento individual, para que conseguíssemos chegar onde a gente chegou”, ressalta o diretor administrativo-financeiro do Sicoob Norte, Altair Schramm de Souza. “A gente agradece aqueles colegas que junto conosco tiveram a mesma persistência. Hoje o Sicoob traz uma grande alegria para todos. O crescimento do Sicoob é visto por todos”, ressalta. “Nesses 20 anos a Central saiu praticamente do zero, foi iniciada numa salinha, no fundo de um quintal, e hoje nós temos uma estrutura invejável. Eu sempre falo que a maior riqueza de um país, de uma região, ou de uma instituição, é o seu povo. E uma grande riqueza da nossa Central são os nossos colaboradores, nossos funcionários”, conclui o presidente do Sicoob Norte, Ivan Capra.

 

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